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Curtas Brasil 2008

A maior virtude do processo de seleção de uma mostra competitiva reside, sem dúvida, no desafio de enfrentar o conjunto sempre amplo e imprevisível de filmes que resulta das inscrições de um festival. É por meio desse conjunto que um momento da produção de um país (ou de vários) se dá a ver, ou pelo menos se insinua. É por meio dele, também, que o cinema recomeça a cada ano para os festivais: dentro de um mar de trabalhos desconhecidos, que guardam tanto desilusões quanto surpresas, eles buscam uma forma de se afirmar, de justificar sua existência, de dar suas razões. Mas não é só por meio dos filmes selecionados que um festival define sua identidade. Tudo aquilo que chega até ele é, da mesma forma, importante - os filmes que se inscrevem para uma seleção constituem, juntos, o principal universo de diálogo de um festival. A inexistência de mostras competitivas nesse ano ilustra muito bem, portanto, a disposição deste festival de se reformular e se repensar. Digamos que, sem isso, essa “pausa” não seria suficientemente legítima. Por outro lado, achamos que tampouco seria justo ignorar a produção brasileira de curtas-metragens como se nada tivesse acontecido, ou como se nada tivesse sido produzido nos últimos anos. Pelo contrário, muita coisa foi produzida e há filmes que deixaram marcas significativas em seu percurso pelas salas de exibição e pelos festivais de cinema, encontrando forte repercussão entre espectadores, críticos e realizadores. Alguns deles fazem parte desse panorama que achamos por bem constituir, incluindo apenas trabalhos realizados em 2008 e não inscritos no festival passado (já que os de 2009 poderão se inscrever no ano que vem, com a volta da mostra competitiva). Outros, talvez menos vistos e menos falados, vem reiterar ao lado desses primeiros a opção pelo risco e pela autoralidade que este festival jamais deixou de fazer. Esse panorama que propomos expressa, antes de qualquer coisa, o desejo de reter algo do nosso tempo, de reter algo da experiência desses filmes. De prorrogar, talvez, a dificuldade ou o prazer de tê-los visto em algum momento.

Curadores: Daniel Queiroz, Hélvecio Marins, João Dumans e Maria Chiaretti

Duração BRA 1: 67 minutos
Formato de exibição: Vídeo/35mm

BRA 1 - Programa 01

O SONHO DA CASA PRÓPRIA

Cao Guimarães

Brasil/MG, 2008, 15’, cor, vídeo

Sonho velado, véu sonhado. O que existe em comum entre um casamento e um canteiro de obras?

TERRA

Sávio Leite

Brasil/MG, 2008, 5’, cor, vídeo

Coisas ordinárias acontecem com pessoas extraordinárias.

MONKEY JOY

Amir Admoni

Brasil/SP, 2008, 8’15’’, p&b, vídeo

A chegada de um produto revolucionário estremece a monotonia da cidade de Amsterdã. Usando como ponto de partida imagens ilustrativas do cotidiano holandês que captou durante seis meses, o diretor e designer Amir Admoni cria uma deliciosa ficção animada que, por trás do humor sarcástico, levanta questões corrosivas extremamente atuais, como o vazio da sociedade de consumo e a paranóia da política anti-imigração européia.

PHIRO

Gregorio Graziosi

Brasil/SP, 2009, 12’, cor, vídeo

A ausência presente.

PERTO DE CASA

Sérgio Borges

Brasil/MG, 2008, 9’30’’, cor, vídeo

Um passeio entre irmãos e o pai, de casa para o mundo.

MURO

Tião

Brasil/PE, 2008, 18’, cor e p&b, 35mm

Alma no vácuo, deserto em expansão

Duração BRA 2: 75 minutos
Formato de exibição: Vídeo/35mm

BRA 2 - Programa 02

A ARQUITETURA DO CORPO

Marcos Pimentel

Brasil/MG, 2008, 21’, cor, 35mm

Os bailarinos e suas formas.
Suas dores.
Seus sonhos...

MINAMI EM CLOSE-UP, A BOCA EM REVISTA

Thiago Mendonça

Brasil/SP, 2008, 18’15’’, cor, 35mm

A trajetória da revista Cinema em Close-up, que nos anos 70 tornou-se um sucesso de vendas publicando fotos de atrizes em poses sensuais e de seu editor Minami Keizi, é o ponto de partida para contarmos a história dos filmes da Boca do Lixo e seus personagens.

PASSOS NO SILÊNCIO

Guto Parente

Brasil/CE, 2008, 17’, p&b, 35mm

Uma professora de alemão obstinada na tradução de um poema de Goethe

Filmes

Nº 27

Marcelo Lordello

Brasil/PE, 2009, 19’, cor, 35mm

- O banheiro tá na limpeza. - Luiz responde, segurando a maçaneta com toda força.
- Limpeza? Deixa de conversa porra, abre a porta!
- O banheiro tá na limpeza, procura outro, por favor.
- Que limpeza...abre logo a porta eu quero mijar, velho!
- Meu irmão, você pode chamar o coordenador, por favor...

Duração BRA 3: 78 minutos
Formato de exibição: Vídeo/35mm

BRA 3 - Programa 03

SUPERBARROCO

Renata Pinheiro

Brasil/PE, 2008, 17’, cor, 35mm

A ornamentação na ruína, o escuro no claro, o silencio na voz, o imóvel na ação.

OSÓRIO

Heloisa Passos e Tina Hardy

Brasil/PR, 2008, 12’, cor, 35mm

A Praça em movimento, a proximidade e a distância entre as pessoas. Uma evocação ao fato de que cada um possa ser notável.

O MENINO QUE PLANTAVA INVERNOS

Victor Hugo Maciel Sansão Borges

Brasil/SP, 2008, 15’30’’, cor, 35mm

Antes mesmo de nascer, um menino tem seus pais mortos. Ele acredita que a tragédia foi causada por um maléfico dragão. Para se vingar, ele pensa em aniquilar o dragão trazendo à terra o pior frio já imaginado e, assim, congelar o monstro. Poderá o garoto derrotar o dragão, ou estará ele enfrentando algo muito maior do que sequer poderia imaginar?

SUMI

Marina Fraga

Japão e Brasil/RJ, 2008, 13’, p&b, vídeo

Investigações ideogramáticas no Japão. A caligrafia e a matéria escura/obscura que lhe serve de tinta.

TRIANGULUM

Melissa Dullius & Gustavo Jahn

Alemanha/Egito/Brasil, 2008, 22’, cor e p&b, vídeo

Um trio à beira do abismo encontra o destino, personificado numa jovem mulher. São transportados para uma metrópole longínqua onde o acaso irá conduzir cada um deles em uma jornada pessoal. Em movimento perpétuo, paranóicos, eles avançam em busca do equilíbrio.