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Mostra Juventude - Apresentação

O que seria um cinema de juventude? Aquele feito por pessoas jovens, com personagens novos, ou de temática juvenil? Uma pergunta que não conduz necessariamente a uma resposta única e correta. Talvez seja tudo isso. Talvez não seja só isso.
Alguns filmes parecem trazer em sua construção algo que remete diretamente a questões de uma faixa etária compreendida entre o final da infância e o início da vida adulta. Uma fase complicada, de questionamentos, dúvidas, anseios. A responsabilidade da vida impõe ao jovem uma obrigação de se colocar no mundo, de produzir. É por isso tudo que, diante desses filmes, pareceu bastante interessante uma mostra que conseguisse dar conta de todo esse universo. São filmes sobre as primeiras descobertas sentimentais e sexuais (Biondina, Eu não quero voltar sozinho, Souslalâmeetl’épée; Ik Ben Een Meijes!), ou sobre um olhar infantil que se choca com o mundo adulto bastante complicado (Ratão, La fille et le chasseur, Sturmfrei, Imagine uma menina com cabelos de Brasil..., A conquista do espaço).

Esse é fundamentalmente um momento da vida em que alguns planos fazem sentido e a derrota, a perda e o fraquejar são sempre duros, mas também há motivos para se reerguer e recomeçar (Julie, agosto, setembro, César!, L’estate che non viene, Hitomi). Logo, é preciso reconhecer novos espaços, novos mundos, caminhar para frente, seja em grupo, seja solitariamente (Hidegzuhany, Pude ver un puma).

Pela primeira vez realizada no Festival, a mostra Juventude procura, essencialmente, o cruzamento de olhares de gêneros, lugares, anseios e vontades diferentes. Mesmo com todas essas diferenças, esses filmes guardam em si uma semelhança: uma inquietação em relação ao mundo bastante característica de uma certa idade. O mundo, para quem está nessa idade, torna-se sempre uma porta de descoberta de si.

Comissão de Seleção – Curtas Brasileiros e Internacionais e Lúcia Ferreira, curadora colaboradora