| Sessão Yann Beauvais - Programa |
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Programa Yann Beauvais – 62’
R é um filme muito simples, piscando e flicando e que em seu silêncio induz a uma fuga de ritmos. A parte central do filme é uma transcrição de uma invenção de J. S. Bach.
Este filme é uma série de seqüências realizadas ou encontradas (sobre as cidades que eu frequento) que, na edição, apresenta uma fluidez e continuidade iludindo a narração. As seqüências são moldadas pela edição de acordo com vários arranjos que respeitem a direção de um cinema possível: a passagem de um lugar para outro, de um momento para outro. Passar, unindo um ponto a outro, é transformar-se, tornar-se outro.
Um filme sobre a minha relação com New York desde 1962. Ele lida com a distância entre uma memória e a imagem dessa memória, uma distância que sempre tentamos abolir. Neste filme pessoal, vemos as imagens de uma cidade a partir de uma distância próxima, com fragmentos autobiográficos na trilha sonora. A distância da recordação. O traço desta distância forma a memória, tanto quanto os lugares, perseguida por tantas histórias, de modo que nossas marcas vão explodir em um acidente. Um acidente levando a um colapso em um vórtice de afetos.
Este filme considera o tema da AIDS e do HIV a partir de uma variedade de pontos de vista diferentes. Por um lado, usando material textual em inglês e francês, que aparece na tela em diferentes velocidades e ritmos, e por outro lado, articulada pelo aparecimento da voz humana na trilha sonora. Tanto as observações e experiências sobre AIDS se sobrepõem umas com as outras e emergem de forma fragmentária, em que as políticas prosseguidas a respeito deste assunto são representadas através da aplicação de modalidades visuais específicas. A AIDS não desapareceu como resultado da triterapia: a AIDS está sendo banalizada para torná-la mais fácil de se esconder.
Sobre a guerra recente no Libano.
Filmado em Pequim em dezembro de 2003. Editado em março de 2006. Tiro na Praça Tiananmen, em início de dezembro, depois de uma tempestade de neve. O Exército tomou a praça, batendo, riscando, e quebrando a neve e o gelo. A tarefa é difícil, a cacofonia grande. O trabalho não é esmagadoramente eficaz, mas por números absolutos e perseverança o gelo é removido. Somos atraídos não tanto pela eficiência dos gestos, mas pela domesticação dos corpos, que oprimem, evocando outras lembranças mais arrepiantes.
As batidas do rap, tanto quanto o funk das favelas do Rio de Janeiro contribuem para dar um outro ambiente para estes lugares, afirmando o fato de que há som produzido por negros, assim como sons feitos no subúrbio e nas favelas. Essas canções esmagam através da narração oficial da notícia, elas permitem-nos considerar outros pontos de vista que os manifestantes já haviam mostrado no questionamento do colonizador branco.
Afeto, que pode destruir, também pode produzir consolo. O brilho intenso (e calor implícito) e pulsante sugerem uma intensidade sexual e ainda uma espécie de destrutividade sinistra. Tiro com um telefone celular.
Uma viagem para o jardim de Versalhes, no inverno de 83. Em 2010 eu re-trabalho as imagens originais em super-8 a fim de trazer outro significado a esta paisagem. A alteração deste material através da mistura de cores e velocidade, tanto como a adição de um pequeno texto, transmite outros significados, tais como a codificação de poder, que ainda não são visíveis quando um toma como dado a paisagem magnificamente formada. |