Trocas nas imagens e pelas imagens. Imagens que rompem ou curam ou gritam ou sussurram ou tremem ou tudo ao mesmo tempo. Precisamos sentir essas imagens e, no mesmo movimento, conversar sobre elas. Abrir o tempo de cada uma. Fazer isso juntos. Uma fabulação crítica coletiva, quem sabe. Eis a pulsão energética da oficina de crítica de cinema que aconteceu durante o FestCurtasBH e cujo resultado será aqui publicado em uma série de textos que, a partir deste ano, vão criar corpos de pensamento sobre os curtas-metragens exibidos no festival.

(por Carol Almeida – crítica tutora da primeira edição do Corpo Crítico do 20ºFestCurtasBH)
 

 

 

A Performance do Corpo Político em “BR3”, de Bruno Ribeiro

por Yasmin Guimarães

A experiência cinematográfica LGBT+ está mudando e sei disso porque estou em uma sala de cinema e quando olho para os lados vejo todos estes rostos que me dizem: estamos todos na mesma caminhada. Talvez porque dentre os filmes selecionados muitos tratam de questões LGBT+, talvez porque temos, de fato, (…)

As temporalidades das mulheres de Maré

por Débora de Souza Anunciação

Em Maré, me perdi. Minha primeira sessão do Festival de Curtas BH se tornou uma montanha-russa: de sentimentos, sensações e, em especial, reflexões. Durante a semana tenho refletido sobre privilégios que, muitas vezes, passam despercebidos até mesmo pelos “descontruidx”. Afinal, é um privilégio até mesmo ter os dias livres para (…)

De tão preto é azul! Sobre Noir Blue: deslocamentos de uma dança (de Ana Pi, 2017)

por Larissa Muniz

“Experiência que atravesso de forma solitária mas, acompanhada de uma câmera e um lápis, posso compartilhar. Esse continente que é uma incógnita para nós. Categorias de dança que têm cor são negras: uma dança azul de tão preta. Performance é o espaço de arreganhar. Aprendi a falar devagar porque a (…)

Eu sou cinema: Sobre I Am Sheriff (de Teboho Edkins, 2017)

por Luís Felipe Flores

Que tipo de compreensão um filme pode abrir entre sujeitos que seja capaz de acolher e de abrigar diferenças, sem recair, para isso, em uma via pacificada da representação (seja ela documentário ou ficção)? Como inscrever essa compreensão na imagem, sem deixar que as próprias operações de cinema (filmagem, montagem, (…)

Fronteiras do desejo: The men behind the wall e A chinesa de Riad

Por Luís Felipe Flores

Um lento travelling sobre um viaduto ou ponte, filmado do interior de um veículo em movimento, nos apresenta edifícios com aparência de ruínas, em algum ponto do Oriente Médio. Enquanto a câmera perscruta a paisagem urbana, escutamos o diálogo abertamente sexual entre um palestino e uma judia através de uma (…)

Os corpos que faltam

por Claryssa Almeida

É difícil a empreitada de um registro biográfico que se permita esvair pelas frestas do seu estatuto documental e seguir correnteza abaixo com o fluxo imagético. Inocentes dirigido por Douglas Soares investe nessa missão. Ao traçar uma possível trajetória do fotógrafo Alair Gomes, esforça-se para forjar, através do trabalho do (…)

Os signos do caos: Mamata (2017, de Marcus Curvelo)

por Hannah Serrat

Aprendi a gostar mesmo de cinema (porque minha relação nunca foi instantânea, nem cinefílica, mas se construiu em processo) quando vi, pela primeira vez na vida, aos 18 anos, Sem essa, Aranha, de Rogério Sganzerla, projetado na sala do Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte/MG. Fazia quase um ano da (…)

Pautas silenciadas e diálogos ausentes: O Dia de Jerusa

Iara Félix Pires Viana¹

A noite não adormece nos olhos das mulheres, a lua fêmea, semelhante nossa, em vigília atenta vigia a nossa memória. (Conceição Evaristo – A noite não adormece nos olhos das mulheres) Elipse2 Quando assistimos a um filme, além de vivenciarmos o lazer, nós podemos estabelecer contato audiovisual e vínculo emocional (…)

Pode o cinema ajudar alguém a suportar ou mudar a realidade?

por Lídia Ars Mello

Partir, traçar uma linha. Penso que as imagens de um cinema engajado politicamente, de um filme que toma a vida de alguém como materialidade, devem no mínimo provocar o espectador e fazê-lo desviar seu olhar habitual, assim como uma escritura que se pretende crítica.  As imagens e sons do cinema (…)

SER VENTO Texto sobre o filme NOIRBLUE: deslocamentos de uma dança, de Ana Pi (2017)

por Maria Trika

Vento. Nos acaricia a pele, arrepiando os cabelos – das bochechas aos pés. Sentimos-o, sem, no entanto, aprendê-lo. Escutamos seu sussurro. Nosso corpo é    tocado       atravessado    alterado transformado pela matéria, invisível (?), presente. O filme começa saudando e agradecendo suas ancestrais. Tela preta. NOIRBLUE Surge uma voz. (…)

Uma imagem de pensamento sobre Maré, de Amaranta César

por Lídia Ars Mello

O que vou escrever é uma imagem de pensamento sobre este filme. Não esperem um meio e fim definidos ou linearidade, mas, um navegar sensível e significativo, e quem sabe um texto crítico. Quando acabei de assistir Maré no Festival Internacional de curtas-metragens de BH – que este ano acolhe (…)